5 de maio de 2020

Eu tenho uma nova escritora favorita

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Tô engajada em ler livros escritos por mulheres, porém percebi que nas bibliotecas que frequento, principalmente a da faculdade, eles são escassos - It was simply sexism, dear. Mesmo assim, sigo firme na minha meta.

Já faz umas semanas que terminei Orgulho e Preconceito. Livro que devorei, porque tava doida pra assistir o filme, dirigido pelo Joe Wright, por causa dessa cena que não parava de aparecer no explorar do meu Instagram:

sr. darcy gif | Tumblr
olhei e gritei: BEIJA!

Nunca tinha lido nada (por inteiro) da Jane Austen e olha só como é perigoso a gente formar opinião a partir do que os outros falam, antes de ter contato com algo. Ouvia muita gente dizer que o filme era chato, que o livro era arrastado e blá blá blá, aí fui lá, li, assisti e fiquei uns dias me perguntando se esse povo leu/assistiu direito, porque não é possível!

Falando do livro, a narrativa dessa sagitariana (que mal conheço, mas já considero pacas) me prendeu de um jeito! Flui tão bem e é uma leitura tão gostosa que eu me arrependi rapidinho de, tantas vezes, ter pego obras dela na biblioteca e devolvido semanas depois com meia dúzia de parágrafos lidos. Como consolo, digo pra mim mesma que ainda não estava pronta pra sagacidade e ironia de Jane. Realmente acredito nisso, às vezes ainda não estamos prontos pra um autor.

Imagina o que foi uma mulher, em pleno século XIX, criar uma personagem como a Elizabeth: de personalidade questionadora, dona de si mesma o máximo que dava pra ser e até um pouco debochada. Se os caras reclamam hoje em dia, imagina naquela época. Lógico, não dá pra esquecer que Jane é uma branca de classe média, mas ainda assim é uma mulher escrevendo livros no século XIX. Pra entender melhor sobre isso, indico aqui o episódio 4 do podcast da Gabi Barbosa, nele ela faz uma reflexão muito interessante sobre o assunto utilizando o livro Um teto todo seu, da Virginia Woolf (que também está na minha lista).

"Há uma teimosia em relação a mim que nunca pode suportar ter medo da vontade dos outros. Minha coragem sempre aumenta a cada tentativa de me intimidar." 
Elizabeth Bennet

O exemplar que estava comigo é da biblioteca pública da minha cidade, então, estava cheio de trechos grifados e anotações muito sinceras e inteligentes da antiga dona. Eu amo livros que exalam vida. O nome dela estava na capa, eu a achei no Insta e batemos um papo super legal sobre o livro e sobre como a Jane é ó-te-ma. Olha só que bacana!

Resenha: Orgulho e Preconceito
não sei em quem tenho mais crush: Elizabeth ou Darcy

Minha segunda leitura, que foi Razão e Sensibilidade, não me conquistou tanto quanto a primeira, mas ainda assim me prendeu. Duas notas que fiz sobre o livro:

(1) o porquê desse título fica bem claro ao longo da história - em O&P também fica, mas só me dei conta disso lendo esse.
(2) Elionor é o que chamamos de "pessoa depósito": todo mundo está o tempo inteiro desabafando e jogando suas dores no colo dela (principalmente Marianne), mas só nós leitores percebemos o quanto isso a sobrecarrega, pois além de lidar com os problemas dos outros, ela tem que lidar com os dela, só que sozinha. Jane Austen escrevendo - de novo, em pleno século XIX - sobre sobrecarga psicológica. 

lies.com » stuckinreversemode: favorite characters: elinor dashwood,…
aquela engolida em seco pedindo socorro

Bom, dá pra escrever monografias sobre as obras de Austen. Discutir não só a questão de gênero, mas, também, questões de classe, entre tantas outras coisas. Queria deixar esse gostinho aqui, mas só lendo pra entender do que tô falando - acho que esse é o papel das resenhas, não? Enfim, tem livros dela aqui.

linkslinks, linksmais links interessantes...

Dica pra quarentena e pra vida: leia Jane Austen!